31 de março a 31 de junho

O génio de da vinci desce às furnas da Alfândega

Fomos notícia no DN

2017-04-01
O génio de da vinci desce às furnas da Alfândega
No espaço do piso 0 da Alfândega do Porto é possível descobrir o talento multifacetado de Leonardo da Vinci, numa exposição com dezenas de engenhos e obras.
A "principal base da civilização moderna foi Leonardo Da Vinci quem a inventou." Quem define assim o polímata do Renascimento é Eduardo Souto de Moura, arquiteto que é o comissário da exposição As Invenções do Génio, que desde ontem está patente na Alfândega do Porto. São 64 réplicas de máquinas e engenhos do visionário italiano que foi inventor, cientista e artista.

É por Da Vinci ser um homem "tão à frente" do seu tempo nas artes, na ciência, na engenharia, na arquitetura, que Souto de Moura considera que nesta mostra se pode encontrar muito daquilo que hoje constitui o nosso saber. "Está aqui o princípio da cidade moderna", observou, junto a uma das maquetas idealizadas por Da Vinci há cinco séculos.

Para o vencedor do Prémio Pritzker 2011 há outro motivo de encanto neste encontro entre Da Vinci e o edifício da Alfândega do Porto, onde, como recordou ontem numa curta intervenção, trabalhou cerca de 20 anos no projeto de reconversão deste espaço do século XIX. A exposição está patente nas furnas da Alfândega, uma espécie de catacumbas, uma sala "tão adequada" a receber os protótipos e obras de arte do italiano. "Esta sala que nunca teve uma exposição quase foi feita para receber Leonardo Da Vinci."

"É em si um engenho inteligente, tinha um dispositivo aqui nas furnas para impedir as cheias na Alfândega. O sistema de drenagem impelia a água para o rio, impedindo a sua subida aos pisos superiores", explicou ao DN, enquanto apontava algumas das intervenções que fez no local quando da reconversão do edifício. A sala tem 2000 metros quadrados.

O arquiteto assume que é comissário da exposição, mas atribui o maior mérito à equipa de designers que fez a montagem inicial. "Fui convidado e como arquiteto não resisti a mexer na exposição. Fiz alguns reparos, duas ou três mudanças, e a equipa aceitou."
A equipa foi dirigida por Paula Paz Ferreira, da Out of The Wall, empresa que organiza. A mulher de Mário Ferreira, presidente do conselho de administração da Alfândega e CEO da Douro Azul, comentou ao DN que "com duas ou três mexidas, o arquiteto Souto de Moura, marcou a diferença. Não é por acaso que o seu talento é reconhecido em todo o lado".

Diz a diretora da exposição que "o propósito é despertar a curiosidade, o engenho e o espírito de inovação dos visitantes que vão ser confrontados com a criatividade de um dos maiores génios da humanidade". Ao longo dos quatro meses em que estará aberta ao público, irão ainda decorrer workshops educacionais e estão disponíveis materiais pedagógicos para os mais novos.

A mostra tem o patrocínio do Ministério da Cultura, da Universidade do Porto e da Câmara Municipal do Porto, ontem representada na inauguração pelo seu presidente. Rui Moreira espera uma "enorme adesão dos portuenses" dado que é uma oportunidade para os jovens enriquecerem a sua educação e para os visitantes em geral conhecerem "este espaço extraordinário."

Os 64 engenhos que estão patentes até 31 de julho incluem muitas réplicas dos famosos protótipos concebidos por Leonardo da Vinci. Pode ser observado um escafandro ou um antecessor do que hoje chamamos paraquedas. A antevisão daquilo que seria um carro de combate, ou um tanque de guerra, está representada bem como o aparelho que é o protótipo do helicóptero atual.

Mas Leonardo da Vinci sentia curiosidade para saber mais e compreender o funcionamento. "A exposição será um percurso sobre a vida e obra de um dos maiores génios da inovação, da criatividade, da ciência e da tecnologia de todos os tempos, desenvolvida por áreas temáticas diferenciadas como o Renascimento, as Máquinas de Voo, a Pintura, os Estudos da Hidráulica, da Engenharia Militar e do Urbanismo, entre outros", explica a organização. Todos os engenhos têm textos com explicações.

A faceta de artista, em especial na pintura mas também a música, é outra das áreas em destaque, com reproduções de quadros famosos como a Mona Lisa ou A Última Ceia. Os estudos de anatomia são também reproduzidos.

Além disso, a vida de Leonardo Da Vinci (1452-1519) pode ser acompanhada em murais e painéis, ou através do filme documental que retrata a sua vida e obra e que estará em permanente exibição num dos espaços da Sala Furnas.

Esta exposição dá assim vida às muitas invenções, máquinas e equipamentos que por Da Vinci "foram idealizados e desenhados, muitos dos quais sem nunca terem sido concretizados", e foi concebida e desenvolvida por um núcleo de artistas italianos a partir dos famosos manuscritos de Leonardo da Vinci. Esteve já em diversas cidades do mundo. "Já andávamos há muito tempo em busca desta exposição. São muitos os concorrentes e não é fácil de agarrar. Foi possível e ainda por cima temos este edifício simbólico da cidade para a expor", disse Paula Paz Ferreira, adiantando que a OTW organizará outras mostras no futuro.

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